sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Bullying, mais um prego no caixão da sociedade competitiva

Eu vejo o bullying como a válvula de escape de uma sociedade competitiva, mas que não dá as condições para todos os indivíduos competirem entre si. Em outras palavras a sociedade determina que as conquistas pessoais venham servir para superar os outros indivíduos da sociedade que, para não serem excluídos e serem notados, tem de estar nessa competitividade. Os sonhos que a sociedade determina são conquistas, que eu as chamo de "velhas modernidades atuais", que são lançamentos de objetos antigos, com nova roupagem, que fazem a mesma função dos lançamentos, e como a sociedade foi moldada a viver de aparência, então, tudo o que servir como novidade, para mostrar e impressionar essa concorrência, acaba servindo como arma para vencer nessa sociedade competitiva.
Como a sociedade competitiva não dá liberdade, pelo contrário ela leva as pessoas a se degladiarem, essa sociedade, carente de conquistas, usará o desrespeito e a intolerância para obter o valor individual ao destruir a dignidade de uma pessoa, ou seja, na falta das conquistas materiais sobram pessoas independentes, excluídas, que ninguém entende sua liberdade de não querer concordar e se envolver com esse mundo que o cerca; e as pessoas tem liberdade para isso, mas esse bullyinador, esse intolerante que vive em virtude de superar outras pessoas, não vai entender, ou é menos importante para ele entender e ter respeito as opiniões das outras pessoas, que segundo ele são indefesas.
O caso Wellington Meneses na escola de Realengo no Rio de Janeiro foi um exemplo de como foi construído um monstro, através dos acontecimentos que o cercavam e que cercava os seus bullyinadores, porque nossa cultura é aquela em que as pessoas tem que aprender desde cedo a superar e destruir pessoas, e mesmo que para isso, aconteçam casos extremos, pois nossas leis amparam mais quem pratica essas atrocidades do que pessoas que são vitimas do sistema. O problema do bullying é muito mais complexo e enquanto vivermos e apoiarmos uma sociedade competitiva esse problema vai continuar existindo.

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